A DEPRESSÃO: QUANDO TE PERDES DO TEU EU

abril 15, 2018


Em condições normais sabemos o que queremos, sabemos do que gostamos, temos um sentido na vida, temos objetivos definidos... Mas e quando perdemos tudo isto?! O que fazer?!
Esta é a minha experiência, a minha história em como a pessoa alegre que sempre fui foi desaparecendo sem eu conseguir sequer agarrá-la. A história de como os meus dias coloridos foram perdendo a cor e caí na depressão.
É complicado entender onde tudo começou, sei que de manhã acordava sem vontade para nada e fazia um esforço irreal para ter um dia normal. Ansiava por voltar a casa e enterrar a cabeça na almofada. Fui arrastando esta situação pensando que era uma fase, que andava stressada e que com o tempo tudo iria voltar ao normal. Enganei-me. As coisas pioraram: comecei a perder o apetite, comecei a deixar de gostar de fazer as minhas coisas, deixar de sentir que tinha valor. Pior de tudo foi perder o sentido do meu eu. Não existiam razões para me sentir assim! Felizmente estava a trabalhar, a minha família estava bem, o meu namorado e eu não tínhamos nenhum problema. Toda esta falta de explicação para aquilo que estava a sentir deixava-me revoltada comigo própria. Passaram cerca de 4 meses até entrar em colapso. Com a perda de apetite mal me alimentava, ganhei um problema de estômago que me impedia de aguentar a comida e passei dias a vomitar. A dor psicológica transformou-se em dor física e aí apareceram as insónias. Foram cerca de 6 dias sem dormir e nesses dias, foi como andar perdida num labirinto sem saída. Começaram a surgir os piores pensamentos: querer desaparecer e como poderia fazê-lo.
Foi aí que quem estava à minha volta levou-me ao psiquiatra. Onde eu já devia ter ido há muito tempo, por iniciativa própria.
Quando chegamos a este ponto não pode haver negação, precisamos de ajuda e ponto final. Foi uma sessão de mais de uma hora a falar com o psiquiatra, eu só lhe pedia que me desse algo para dormir, precisava de descansar e já não conseguia sequer raciocinar. Já tinha lapsos de memória, estava totalmente perdia. Foi quando ele me agarrou pela mãos olhou-me nos olhos e me disse "Tu hoje vais dormir, e tu vais ficar bem, acredita". Disse à minha mãe que em 15 dias eu iria voltar ao meu estado normal. Assim aconteceu, com a medicação certa, descanso e MUITO apoio de todos os que realmente gostam de mim, voltei a ter chão. Voltei a ver os meus dias de forma colorida, voltei a querer viver.
Na segunda consulta ele fez-me entender, aquilo que eu já devia ter entendido, uma vez que estudei psicologia. Ele tinha razão, os psicólogos são os mais difíceis de tratar.
O que se passou afinal?
Uma depressão sem causas externas, dificultando ainda mais a sua compreensão. Um desiquilíbrio na química do meu cérebro suficiente para me fazer mergulhar numa tristeza profunda, da qual não dá para sair sem ajuda.
Neste tipo de depressão a pessoa sente uma tristeza mais intensa e desproporcional, falta de prazer. Por não ter nenhuma causa identificável os fármacos são a primeira escolha do tratamento.
Tomo a medicação ha 8 meses, no início era um cocktail autêntico, para além da depressão precisei de reestabelecer o apetite, o sono e o peso. Estava com 46 kg, sem sequer me aperceber disso. A medicação fez-me voltar a erguer a cabeça. Também me deu uns kilinhos: mais de 10 kg para ser precisa. Mas prefiro estar com uma banha aqui e ali do que sentir-me um pedaço de nada.
Porque conto isto? Primeiro porque acho que não é preciso  ter vergonha, nem de ir ao psiquiatra nem de tomar medicação. Foi o necessário , foi o que me fez voltar ao normal. Segundo, se algum dia sentirem o que eu senti, não deixem arrastar a situação e procurem ajuda. Falem com alguém, psicólogo, psiquiatra, sem medos. Estas historias têm de ser partilhadas porque são cada vez mais comuns. Se eu não tivesse tido o apoio que tive não sei o que teria acontecido. Por isso não se isolem, quem vos ama não vos deixa cair. Haverá sempre alguém que estende a mão para nos ajudar a levantar. Acreditem nisso :)

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3 comentários

  1. Querida, nao tive coragem de ler até ao fim porque fui diagnosticada com o mesmo problema ha duas semanas atrás e ainda não tenho coragem de ler este tipo de coisas. Mas há uma coisa que tenho aprendido, nós importamos muito e devemos agarrar-nos às coisas que nos fazem bem. Eu, por exemplo, voltei ao blog depois de imenso tempo fora precisamente porque acho que vou encontrar no blog uma forcinha qualquer. Espero que fiques bem rápido, porque sei precisamente o que sentes. Um dia também quero falar disto no meu blog para poder ajudar alguém, até lá, por falta de coragem - e ainda de experiência - fico a admirar-te por teres feito tu isso. Um beijinho e força, miúda :)

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  2. Fico muito feliz por agora já estares bem! Tudo se compõe e são coisas que acontecem mais vezes do que pensamos! :) beijinho

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  3. Infelizmente é muito comum mas o importante é agarrar-nos ás pessoas que nos fazem e querem bem! Acreditar que tudo vai correr pelo melhor! Muita força <3
    Segui o teu blog, quero convidar-te a visitar e a seguir o meu blog de volta <3
    Beijinhos <3

    pimentamaisdoce.blogspot.pt

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